Sobre o autor

Meu nome é Renato Fernandes. Sou jornalista, cronista, artesão e pesquisador independente brasileiro. Durante vinte anos atuei no jornalismo regional, cobrindo cultura, curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano. Essa experiência me permitiu desenvolver um olhar atento para as histórias que normalmente passam despercebidas pelos grandes veículos e pelos registros oficiais. Minha trajetória Antes da atuação no jornalismo, vivi experiências ligadas à estrada, ao artesanato e ao comércio ambulante, percorrendo diferentes lugares e convivendo com pessoas de origens variadas. Essas vivências moldaram minha forma de observar o mundo e influenciam diretamente minha escrita até hoje. Paralelamente à produção de conteúdo, desenvolvi trabalhos nas áreas de desenho, escultura, modelagem de máscaras, impressão 3D e projetos maker, unindo técnicas artesanais tradicionais a ferramentas contemporâneas. Sobre o Relatos Esquecidos O Relatos Esquecidos nasceu da vontade de reunir histórias,...

A interessante aventura do transporte público

Outro dia tive a necessidade de utilizar transporte coletivo, o bom e velho Busão, e confesso: é bem melhor que utilizar o tradicional carro.

No abrigo de ônibus, se ficar de orelha em pé, ouvimos interessantes histórias, e nessa aventura, estava eu de bobeira no ponto quando duas jovens começam a dizer que não ririam votar em um certo candidato tido como machão, que Ele Não entraria no poder. Fiquei atento para ver até onde ia o diálogo e logo uma delas soltou:

- Se ele entra meu marido que está preso vai perder a vida

- Imagina meu irmão não poder nos visitar no Natal. Está certo que ele aparece apenas no dia 26, e não sabemos onde ele esteve nos dias anteriores, mas mesmo assim - adicionou a outra.

O ônibus chegou e entrei logo na catraca, um bêbado anunciava:

- Você é um homem feio; você é uma mulher bonita; você é um rapaz horrível; você é uma jovem linda...

O bêbado me alertou: - Eita, você é horrível.

Como se eu já não soubesse disso. Dei um sorriso, passei meu cartão, pois atualmente tenho o benefício de estar estudando e pago meia.

Fiquei em pé ao lado de um rapaz que comentava:

- Melhor feio que bêbado.

O rapaz me contou que estava desempregado e que usar o transporte público estava ficando difícil e que precisava entregar currículos no outro lado da cidade, mas que voltaria a pé para casa.

- Não tem jeito, na volta já reservei cinquenta currículos para entregar em todos os lugares que eu passar - disse.

Ele me contou que trabalhava como cozinheiro, e que tinha três filhos e que precisava trabalhar para ajudar a mãe que estava com câncer. Ficamos conversando até chegarmos ao meu ponto de destino.
Desci, resolvi tudo o que tinha que resolver e voltei para o ponto de ônibus, pois antes de voltar para a casa eu ainda precisava resolver uma situação em outro bairro no extremo da cidade.

O busão chegou, e ao passa meu cartão no leitor vi que tinha uma tal de integração, ou seja, eu iria para o outro lado da cidade, gastando apenas R$ 1,75. Cedi o lugar para uma senhora que me agradeceu e se pôs a falar.

-Esse mundo está perdido, na minha época a gente não andava com roupa tão curta, disse ela observando uma jovem estudante de shorts acima do joelho. Essa é uma pouca vergonha imagine ir assim para a escola - reclamou.

Perguntei a ela como era em seu tempo as salas de aula, e ela me disse: - Não sei, nunca estudei. Pego o ônibus certo porque é sempre o mesmo motorista. Quando ele tira férias levo uma semana para descobrir qual o coletivo certo - ressaltou.

Cheguei ao meu destino e pensei com meus botões. Com o preço da gasolina, quando é que conseguiria atravessar a cidade com menos de R$ 2,00, sem me preocupar com vaga de estacionamento.

Entender a opção de voto de duas desconhecidas de forma democrática sem as críticas e posicionamentos extremistas das redes sociais; se emocionar com a história triste de um desempregado, dar risadas com um bêbado crítico de beleza e ter e oportunidade de acompanhar a análise crítica sobre a educação moderna de alguém que nunca foi à escola e além de tudo compreender como uma pessoa analfabeta reconhece o ônibus correto que precisa entrar.


Andar de busão é uma interessante experiência social que ainda nos gera economia extrema em época onde o valor do combustível se aproxima a R$ 5,00. Recomendo essa experiência de vida a todos.
Autor Relatos Esquecidos

Sobre o Autor

Autor, cronista, artesão visual e pesquisador independente brasileiro. Atuou por cerca de duas décadas no jornalismo regional, cobrindo cultura, curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano. Criador do Relatos Esquecidos, dedica-se à pesquisa e divulgação de história, arqueologia, cultura popular, mistérios históricos e acontecimentos pouco conhecidos.

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