Sobre o autor

Meu nome é Renato Fernandes. Sou jornalista, cronista, artesão e pesquisador independente brasileiro. Durante vinte anos atuei no jornalismo regional, cobrindo cultura, curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano. Essa experiência me permitiu desenvolver um olhar atento para as histórias que normalmente passam despercebidas pelos grandes veículos e pelos registros oficiais. Minha trajetória Antes da atuação no jornalismo, vivi experiências ligadas à estrada, ao artesanato e ao comércio ambulante, percorrendo diferentes lugares e convivendo com pessoas de origens variadas. Essas vivências moldaram minha forma de observar o mundo e influenciam diretamente minha escrita até hoje. Paralelamente à produção de conteúdo, desenvolvi trabalhos nas áreas de desenho, escultura, modelagem de máscaras, impressão 3D e projetos maker, unindo técnicas artesanais tradicionais a ferramentas contemporâneas. Sobre o Relatos Esquecidos O Relatos Esquecidos nasceu da vontade de reunir histórias,...

Pedreira de Laranjal Paulista: área antes degradada agora é uma das maravilhas da região

Mesmo com proibição lagoa recebe visitação de turistas e moradores - Foto de Jefferson Farias

A primeira impressão que tive da Pedreira de Laranjal Paulista foi de surpresa. Minhas lembranças daquele lugar remontam os anos 90 e nunca me fariam imaginar qualquer vocação turística.

O local ainda estava em operação e no auge da minha juventude, com amigos  fazíamos visitas clandestinas à suas instalações aos finais de semana. Sempre tive uma péssima impressão. Remetia a ambiente insalubre e cinza, no mais fiel cenário de filmes pós-apocalípticos.

Mas vamos lá, agora é diferente, o lugar que fica na Estrada do Britador, região da Vila Toti, virou uma verdadeira lagoa. Linda por sinal.

Trabalho com máquinas pesadas, repare o chão úmido. Água subiu após abandono

Os nomes são vários, ela tem o apelido de Pedreira Esmeralda em referência à cor de sua água. Ou Pedreira do Biguá, pois equipes de mergulho encontraram aves mergulhadoras, conhecidas como Biguás; Pedreira do Toque ou o nome popular Pedreira do Toti, devido ao bairro onde está localizada.

A história de fundação da Pedreira sem dúvida remonta a década de 30, porém existem poucos registros públicos sobre seu funcionamento ou criação.

A década de 1930 é o período marcado na história nacional pelo aumento da demanda de minerais, era o começo da industrialização. Atividade que foi impulsionada ainda mais no pós Revolução de 1930.

Por volta de 1940, a atividade mineradora no município de Laranjal ganha uma aliada, a mudança do traçado da linha férrea. A mudança levou a ferrovia praticamente ao lado da Pedreira, passava em seu quintal, digamos assim. 

Imagem de 1998 mostra a Pedracat em operação onde hoje surgiu um lago


Com o passar das décadas chegamos aos anos 1990, e encontramos uma cidade em pujante desenvolvimento. Agora a produção de brinquedos e artigos de plásticos se tornou a principal vocação do município e a Pedreira se tornou uma Pedra no sapato da cidade.

As atividades em sua área com mais de 250 mil m², tocadas pela Pedracat a partir de 1989, eram consideradas um fardo para o crescimento imobiliário.  Isso porque os bairros em expansão na região sudeste do município, começaram a ter o cotidiano afetado pelas atividades de mineração.

Expansão imobiliária contribuiu para o fim da mineração


Já no início dos anos 2000 uma preocupação passou a fazer do imaginário da cidade e chegou até o poder público. As frequentes detonações estavam ameaçando a estrutura das casas desses bairros próximos.

Era comum moradores reclamarem de explosões que causavam tremores em suas casas, derrubando objetos, criando rachaduras e assustando a vizinhança.

O Plano Diretor da Cidade de Laranjal Paulista, elaborado em 2004 já apontava como fundamental o fim das atividades de mineração do local, para garantir o desenvolvimento imobiliário dos bairros vizinhos bem como a abertura de novos loteamentos.

Nas páginas 82 e 83 o Plano Diretor aponta para a desativação da Pedreira como essencial para a abertura de novos loteamentos e ainda no desenvolvimento turístico. “A “Pedreira”, atualmente não convém que novos loteamentos se aproximem da área de mineração, porém futuramente quando estiver desativada, pode ser explorada turisticamente”, traz o Plano diretor.

O encerramento das atividades de exploração mineral, enfim ocorreu de forma efetiva em 2007. O resultado disso foi imprevisto e inusitado: o sistema de bombeamento da pedreira foi abandonado e a partir daquele ano o nível da água começou a subir.

Em dias de calor a lagoa fica bastante movimentada
A chegada da água trouxe para a área, que antes ostentava uma das paisagens de maior degradação daquela região em uma de suas paisagem mais privilegiadas.

Um lago em constante expansão em cor esmeralda surgiu e sua profundidade atual é uma incógnita.

Mergulhadores que exploraram a área chegaram próximos aos 30 metros de profundidade, porém a população local acredita que em alguns pontos da Pedreira a profundidade possa facilmente chegar a 70 metros.


Guarda Municipal alerta para os perigos que a lagoa apresenta


A Guarda Municipal de Laranjal Paulista alerta sobre os riscos de utilizar a antiga pedreira como área de diversão e lazer, porém os alertas parecem não surtir efeito na população que encontra em suas águas local adequado para se refrescarem em dias de calor.

Uma estrutura foi armada na parte mais alta da Pedreira para a pratica do rapel e é bastante comum atividades com pranchas stand-up ou caiaques em suas águas.

A maioria das pessoas que visitam o local assumem o risco de acessar uma área particular e com pouca supervisão ou segurança.

Entretanto a Pedreira Esmeralda tem algo que nenhuma proibição será capaz de conter: a aceitação e recomendação popular. O lago da pedreira, mesmo que de maneira ilegal e  informal, é sim considerado pelos moradores de Laranjal como uma das maravilhas da cidade e apenas por essa razão já deveria receber atenção do Poder Público em seu cuidado e manutenção, além disso chegou o momento da iniciativa privada prestar atenção ao que vem ocorrendo alí.


Renato Fernandes - Conteúdo In-loco comunicação

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Autor Relatos Esquecidos

Sobre o Autor

Autor, cronista, artesão visual e pesquisador independente brasileiro. Atuou por cerca de duas décadas no jornalismo regional, cobrindo cultura, curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano. Criador do Relatos Esquecidos, dedica-se à pesquisa e divulgação de história, arqueologia, cultura popular, mistérios históricos e acontecimentos pouco conhecidos.

Comentários

  1. Excelente matéria sobre a famosa pedreira da cidade. Sempre tentei entender um pouco sobre ela, mas as pessoas tinham informações desencontradas.

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  2. Brinquei muito lá nos anos 60/70.....quantas lembranças. .......

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