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Angelino de Oliveira o ilustre cidadão botucatuense que nasceu em Itaporanga
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O músico mundialmente famoso Angelino de Oliveira, nasceu em Itaporanga, no dia 21 de abril de 1888, porém o talento musical do artista despertou em Botucatu, cidade onde desenvolveu praticamente toda a sua atividade musical.
Aos seis anos de idade, Angelino mudou-se, com os pais, para Botucatu, próspera cidade cujo comércio de café e algodão atraia lavradores, tropeiros e mascates, entre outros. Ali fez seus primeiros estudos e tomou contato com violeiros vindos de diversos pontos do Brasil, em busca de oportunidades, o que despertou seu interesse pela música caipira.
Sem dúvida, em Botucatu ele ainda é o músico mais cultuado da cidade, apesar de nomes de igual sucesso, como Raul Torres e Antenor Serra, o Serrinha.
Angelino de Oliveira compôs e interpretou clássicos como "Tristeza do Jeca","Moda de Botucatu", "Caboclo Velho", "Sabiá", "Prece" e "Incruziada", entre outros tantos sucessos de época. Suas canções foram regravadas extensamente por artistas da MPB e da música sertaneja.
Em sua obra destacam-se canções, tangos, valsas, sambas-canções, e até um fox trot. O que mais se aproxima da música sertaneja são suas toadas, como a famosa Tristeza do Jeca. Uma das edições desta música, da década de 1920, traz na capa a indicação de gênero: canção. O ritmo da melodia é diferente do que hoje se canta, bem como o andamento sugerido na partitura: lento.
Até uma parte da melodia está em altura diferente do que hoje se canta, modificação provavelmente introduzida pela gravação-versão de Tonico e Tinoco, fato já apontado por Paulo Freire em seu livro sobre o compositor.
Podemos dizer sem dúvidas que Oliveira foi um verdadeiro homem de multitalentos, ao longo de sua vida foi dentista, escrivão de polícia, comerciante, radialista, violonista, trombonista e compositor. Porém, obviamente, que foi com esta última profissão que seria imortalizado na história da música.
Apesar de ter despontado em Botucatu, ele não ficou na Terra dos Bons Ares e das Boas Escolas, por toda a vida, mudou-se para Ribeirão Preto, para estudar odontologia. Mas a atração pela arte o acompanhou e, casado com Maria Malleus, voltou para logo que pôde para abrir a loja "A Musical", onde vivia em meio às partituras e instrumentos.
Contudo, o comércio não lhe agradava e Angelino fechou a loja, deixou de exercer a profissão de dentista e foi trabalhar na Rádio Municipal de Botucatu (que viria a se tornar PRF-8), onde ocupava o posto de diretor artístico.
Nesta mesma época, ingressou na Banda de Música São Benedito, onde tocava trombone. Era também exímio violinista e violonista.
De seu encontro com José Maria Pires nasceu o duo Vi-Gui (primeiras sílabas de violão e guitarra) e, em seguida, o pianista Luís Cardoso juntou-se a eles e formou o Vi-Gui-Pi (violão, guitarra e piano).
Angelino faleceu aos 74 anos, deixando sua marca na música, e onde entre tantas de igual valor, destaca-se Tristeza do Jeca, considerado o verdadeiro "hino caipira".
Tristeza do Jeca
A primeira gravação de Tristeza do Jeca feita em disco data de 1922 ou 1923, interpretada pela orquestra Brasil-América, numa versão instrumental. A segunda saiu em 1926, e foi interpretada por Patrício Teixeira (1893 - 1972), cantor carioca, da turma de Pixinguinha e Donga.[8]
Em 1937 foi gravada por Paraguassu, pseudônimo de Roque Ricciardi (1894 - 1976), que ficou famoso como cantor de serenatas, as modinhas, gênero de música romântica muito popular no início do século XX. Anteriormente, ele gravara outras músicas de Angelino.
Em 1931 lançou o disco Tenho pena dos meus olhos, canção absolutamente romântica, sem nada de caipira. Em 1936, gravou Lua cheia. Tristeza do Jeca foi publicada em partitura e em época anterior ao primeiro boom da música caipira, ocorrido em 1929 com as gravações pioneiras de Cornélio Pires, quando autênticos caipiras entraram finalmente na indústria cultural.
Tristeza do Jeca também foi gravada por Tonico e Tinoco, e regravada, ao longo do tempo, por muitos outros artistas. Foi um sucesso tão grande que logo atravessou as fronteiras brasileiras e tornou-se conhecida em diversos continentes.
A importância de Angelino para a música nacional é homenageada e por essa razão foi instituído, em 1967, o Dia do Sertanejo, comemorado no último domingo de junho.
Em 1982 foi instituída em Botucatu a Semana Angelino de Oliveira, que anualmente celebra-se na semana que inclui o dia 17 de junho.
Em Botucatu, temos também a Escola Estadual de Primeiro Grau Angelino de Oliveira, bem como uma rua com seu nome na Vila Nova Botucatu. Além disso, foi-lhe concedido post-mortem o título de Cidadão Botucatuense.
O violeiro Paulo Freire escreveu em 1996 o livro Eu Nasci Naquela Serra, contando, entre outras histórias, a trajetória de Angelino de Oliveira.
Marilda Cavalcanti escreveu Angelino de Oliveira, o inspirado autor de Tristezas do Jeca, uma obra que reúne farta documentação, além da discografia e musicografia de Angelino.
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