Meu nome é Renato Fernandes. Sou jornalista, cronista, artesão e pesquisador independente brasileiro. Durante vinte anos atuei no jornalismo regional, cobrindo cultura, curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano. Essa experiência me permitiu desenvolver um olhar atento para as histórias que normalmente passam despercebidas pelos grandes veículos e pelos registros oficiais. Minha trajetória Antes da atuação no jornalismo, vivi experiências ligadas à estrada, ao artesanato e ao comércio ambulante, percorrendo diferentes lugares e convivendo com pessoas de origens variadas. Essas vivências moldaram minha forma de observar o mundo e influenciam diretamente minha escrita até hoje. Paralelamente à produção de conteúdo, desenvolvi trabalhos nas áreas de desenho, escultura, modelagem de máscaras, impressão 3D e projetos maker, unindo técnicas artesanais tradicionais a ferramentas contemporâneas. Sobre o Relatos Esquecidos O Relatos Esquecidos nasceu da vontade de reunir histórias,...
A história do Distrito de Vitoriana, em Botucatu
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O povoado que deu origem ao distrito de Vitoriana passou a ser percebido pelas autoridades políticas em 20 de junho de 1888, quando a estação ferroviária de Victoria foi inaugurada e o local passou a ser estruturado pela municipalidade como ponta de linha. Porém, oficialmente, foi elevado a distrito em 1928, ainda com o nome de Victoria e apenas em 1945, passou a ser reconhecida com o nome de Vitoriana.
A chegada da ferrovia ao distrito trouxe ao distrito seu período de apogeu, os funcionários da estrada de ferro passaram a transitar pela região e conviver com a população local de forma efetiva, trazendo inovações e desenvolvimento. Em pleno crescimento econômico e político, em 1 de junho de 1893, a estação passou a ser também ponto de saída para o ramal de Porto Martins, às margens do rio Tietê.
O porto era fundamental. Ele recebia cargas vindas pelos rios Piracicaba e Tietê, provenientes dos portos às margens desses rios ou da estação de João Alfredo (atual Ártemis, em Piracicaba). Além disso, a estação de Vitoriana servia de ligação da linha-tronco com o então ramal de São Manuel, construído pela Ituana e incorporado mais tarde pela Estrada Sorocabana.
O posicionamento estratégico do distrito, que fica na raiz da serra com altitude de 525 metros acima do nível do mar, também incentivou revoltosos, da Revolta Paulista de 1924, que também foi chamada pelos nomes de Revolução Esquecida, Revolução do Isidoro, Revolução de 1924 e de segundo 5 de julho, ou seja, a segunda revolta tenentista, usassem o local como acampamento.
Vitoriana tem uma igreja cuja torres estão atrás do templo
Foi também por volta de 1924, que surgiu a semente da primeira igreja católica no distrito, com Elizabeth Maria, filha do Conde de Serra Negra, contraindo uma grave doença. Dono de posses na região o Conde explorava o café e tinha uma das maiores plantações do Mundo na localidade. Ele utilizava o porto e a ferrovia para distribuir o resultado de suas colheitas pelo mundo, exportando para a Europa.
Sua filha foi tratada em Paris, e a mãe da garota, a Condessa de Serra Negra prometeu que caso ela se recuperasse, a família construiria uma igreja para Nossa Senhora no Brasil.
A saúde de Elizabeth foi reestabelecida, e o Conde trouxe da França a planta da igreja e entregou o projeto de construção ao seu administrador, senhor Francisco Grande (Pai das Senhoras Chada e Cida do atual Bar da Chada em Vitoriana), que construiu a igreja.
A igreja está no Distrito até hoje e o interessante é que ela causou uma grande polêmica em sua época de construção pois suas torres eram voltadas para a parte de trás do templo. No Brasil todas as igrejas católicas possuem suas torres na frente, porém a igreja de Vitoriana, seguiu fielmente a planta francesa, e as torres são nos fundos.
Para inaugurar o templo uma imagem de Nossa Senhora foi trazida da França pela Condessa de Serra Negra, e tanto a igreja quanto a imagem receberam o nome de “Nossa Senhora das Vitórias”, santa que se tornou a Padroeira do distrito.
Vale lembrar que o Conde de Serra Negra colocou o distrito de Vitoriana em destaque em todo o mundo devido ao café, ele envolveu-se ativamente na propaganda e divulgação do café paulista na Europa, investindo fortunas na divulgação do produto.
Ele instalou no centro de Paris, o "Café São Paulo", com diversas filiais nas províncias e convidou em 1900 o pintor Antônio Ferino para passar uma temporada em Vitoriana onde criaria obras de arte para a propaganda do produto brasileiro em Paris.
O Conde, encomendou doze quadros retratando a sua Fazenda Victória, que ficava no distrito, mostrando os processos de cultivo e produção do café. Esses painéis serviam de decoração de seus stands nas exposições internacionais em que participava. Ele queria que os visitantes conhecessem vitoriana e pudessem saber a origem do café que estavam tomando.
O Casarão do Conde de Serra Negra, hoje é rodeado por plantações de cana de açúcar e pertence à Usina São Manuel, suas ruínas ainda existem, sendo um ponto de visitação turística pouco explorado.
Outra personalidade ilustre que nasceu em Vitoriana e que levou o nome do distrito para todo o mundo foi a escritora Maria Leandro Duprê, autora do livro que originou a novela da Globo, " Éramos Seis", que ficou conhecida como Maria José Duprê.
Duprê nasceu em 1898, na Fazenda Bela Vista, filha de Antônio Lopes de Oliveira Monteiro e de Rosa de Barros Fleury Cardoso.
Em 1954 a história do distrito passou por mudanças. Com a construção do trecho de ferrovia que ligava Juquiratiba a Botucatu, todo o antigo ramal que chegava à Vitoriana foi suprimido, ocorrendo ainda a desativação da navegação fluvial da Sorocabana nos rios Tietê e Piracicaba e da passagem do trem na estação do distrito.
Atualmente, o que sobrou do prédio da estação foi conservado e transformado em escola, vale lembrar, a rua em frente à escola se chama João Jacob Karan, ali, no passado era o leito trafegável da ferrovia, ou melhor onde estavam instalados os trilhos.
O fim de Porto Martins
Porto Martins teve um fim mais triste. Quando ocorreu a extinção da navegação fluvial, o porto perdeu importância, e entrou em decadência, sendo extinto em 1959. Até que ocorreu a inundação da área pela barragem de Barra Bonita, levando Porto Martins para debaixo das águas, onde suas ruínas estão até hoje. Tudo o que sobrou do porto foi o cemitério.
A inundação do porto pela Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, ocorre no início dos anos 1960, por volta de 1963, ano em que a usina iniciou suas operações.
Atualmente o distrito de Vitoriana tem uma população estimada em torno de 3 mil pessoas, que tem no cultivo de laranja e nas atividades granjeira ou aquícola, sua principal fonte de renda.
Acessos ao distrito de Vitoriana são precários
Os acessos ao distrito são precários tendo como uma das vias a rodovia Geraldo de Barros (SP-191) com o asfalto em péssima conservação.
A vicinal Alcides Soares é mais conservada, entretanto não possui acostamento, mas apresenta uma beleza ímpar pois é toda arborizada em suas margens. A extensão dela que liga o distrito até Botucatu é de cerca de 12 quilômetros com muitas curvas.
O distrito também não possui Agências Bancárias, porém conta com atendimento bancário em lotéricas, entretanto, casos mais específicos fazem com que os moradores tenham a necessidade de virem até Botucatu.
Autor, cronista, artesão visual e pesquisador independente brasileiro.
Atuou por cerca de duas décadas no jornalismo regional, cobrindo cultura,
curiosidades, personagens e acontecimentos do cotidiano.
Criador do Relatos Esquecidos, dedica-se à pesquisa e divulgação de história,
arqueologia, cultura popular, mistérios históricos e acontecimentos pouco conhecidos.
O médico monstro da SS Eduard Krebsbach (Dr. Injeção) tornou-se Standortarzt, traduzindo médico da guarnição de Hitler, no outono de 1941, no campo de concentração de Mauthausen, Ele tinha como tarefa principal supervisionar os cuidados médicos de todos daquele campo de horrores. Foi ele que iniciou uma verdadeira matança em massa por injeção letal, aplicada diretamente no coração de prisioneiros deficientes e doentes. Sob sua supervisão, estima-se que cerca de 900 russo, polonês e Tcheco prisioneiros foram assassinados, suas injeções assassinas eram preenchidas com Gasolina. A fama do médico garantiu a ele o apelido de 'Dr. Spritzbach' (Dr. Injection - Dr. Injeção). É importante lembrar que o médico monstro ficou conhecido na história mundial como o responsável pela construção de uma Câmara de gás no porão do hospital do campo de Mauthausen. Krebsbach tinha prazer no trabalho que exercia, periodicamente ele costumava inspecionar os prisioneiros e fazer seleções para suas...
O ex-delegado seccional de Botucatu e ex-diretor do Deinter-4, delegado aposentado Roberto de Mello Anibal, morreu de Covid-19, em um Hospital de Apucarana, no Paraná. Anibal, exerceu funções de liderança na Polícia no início da década de 2000, e assumiu o Deinter-4 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior da região de Bauru), por volta de 2005. O delegado de calsse especial tinha amplo reconhecimento regional e era bastante respeitado em todo o Estado, porém sua carreira foi maculada em 2014, quando foi condenado a cinco anos e quatro meses de prisão pela Justiça Federal por facilitação de contrabando de peças de máquinas de caça-níqueis. O militar estava aposentado há mais de 10 anos, e tem um irmão que ainda reside na região de Botucatu, na cidade de Conchas.
A história da Praça do Bosque, começa no centenário da cidade de Botucatu quando foi construída em 24 horas e segue até os dias de hoje com o anúncio do Shopping Amando. Porém esses não são os único pontos curiosos da atual Praça Comendador Emílio Peduti, afinal de contas ela é cheia de curiosidades e com certeza é hoje, uma das mais movimentadas da cidade de Botucatu. O que poucos sabem é que aqueles espaço nem sempre foi uma praça, na realidade o ambiente passou por muitas transformações ao longo da história de Botucatu, para ter ideia o ponto de encontro de boa parte da população já sediou a Câmara Municipal de Botucatu, foi usada como cemitério, recebeu uma igreja, serviu de endereço para um teatro e se tornou um jardim literalmente da noite para o dia, quando a cidade completou cem anos de história. Bem, acho necessário explicar melhor essa história: no dia em que Botucatu chegou ao seu centenário em 1955, para ser mais específico na noite de 13 para o dia 14 de abril o então pre...
Diogo da Rocha Figueira, mais conhecido como Dioguinho , é uma figura cuja existência se estendeu entre os anos de 1862 e 1918, deixando um legado marcante que reverberou profundamente na memória coletiva das comunidades rurais de São Paulo. Sua história é fortemente associada à cidade de Botucatu, onde nasceu, passou sua infância e adolescência, e deu início a uma série de atos criminosos que o consagrariam como um personagem notório em todo o território brasileiro. Embora tenha exercido a profissão de agrimensor e também desempenhado o papel de oficial de justiça, foi sua trajetória criminosa que o eternizou nos anais da história. Seu nome ficou associado a uma série de crimes hediondos cometidos no interior da então Província, no final do século XIX, período em que a sociedade estava passando por profundas transformações. Dioguinho nasceu em Botucatu, no dia 9 de outubro de 1863, passou a infância e a adolescência na casa onde nasceu, na Rua Riachuelo, e sua vida alcançou um tr...
Na noite de 11 de outubro de 1492 , poucas horas antes de chegar ao continente americano , Cristóvão Colombo registrou em seu diário um fenômeno incomum observado do convés de sua nau . Segundo o relato, uma luz estranha surgia e desaparecia no horizonte, movendo-se de forma irregular sobre o mar. O episódio, citado brevemente nos registros oficiais, foi tratado como curiosidade — mas permanece como um dos relatos mais intrigantes da viagem. O Que Dizem os Registros de Bordo No diário atribuído a Colombo , há a menção de uma luz que “parecia uma vela distante ”, subindo e descendo sobre o oceano. O próprio almirante chamou testemunhas para confirmar o avistamento, o que indica que o fenômeno não foi visto por apenas uma pessoa. O evento ocorreu horas antes da famosa observação de terra firme, aumentando ainda mais sua relevância histórica. OVNI ou Fenômeno Marítimo Desconhecido? Defensores da explicação convencional sugerem que a luz poderia ter sido causada por fogos costeiros indíge...
O Projeto de Lei 2590/22 caracteriza como dano de natureza extrapatrimonial a ofensa, o prejuízo ou a redução de direitos praticada por empregadores em razão da liberdade de consciência e opinião dos empregados. A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segundo o projeto, causará dano de natureza extrapatrimonial a ação ou omissão que ofenda, prejudique ou reduza a fruição de bens e direitos na esfera moral ou existencial da pessoa física ou jurídica, incluída a liberdade de consciência, opinião política e atuação sindical, as quais serão as titulares exclusivas do direito à reparação. O projeto prevê ainda que a honra; a imagem; a intimidade; a liberdade de ação, consciência e orientação política; a autoestima; a sexualidade; a saúde; o lazer; e a integridade física são bens juridicamente tutelados inerentes à pessoa física. “A dimensão individual da motivação ideológica não deve prevalecer no ambiente laboral, que é, necessariam...
O desenhista e jornalista Hugo de Avelar Pires nasceu em Botucatu no final do século 19 e na juventude frequentou a boemia carioca, dividindo mesa com representantes do pré-modernismo , entre eles o escritor Lima Barreto , que se tornou seu amigo pessoal. Foi essa relação de amizade que imortalizou Pires como artista de relevância nacional. A caricatura assinada por ele em 1919, era considerada por Barreto como a sua mais fiel representação, naquele estilo. Barreto passou a incorporar o desenho junto a alguns de seus principais lançamentos. Algumas vezes substituindo seu próprio retrato. A relação de amizade começou no primeiro ano em que Pires passou longe de Botucatu, após a sua formatura na Escola Normal (Atual EECA) , em 1919. Ano em que assumiu a função de professor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro . Os anos em que viveu no Rio de Janeiro foi fundamental para a formação artística e literária de Pires retornou para Botucatu onde atuo...
Gatos têm uma curiosidade bastante aguçada e estão sempre explorando a casa dos humanos em que habitam. Para o gatinho Augustas, isso consistiu em algo não muito prazeroso: ele conseguiu prender seu corpo em um esmagador de batatas. O momento foi gravado por sua dona no perfil @macponthetrack, no Tik Tok. Augustas conseguiu se colocar naquela situação depois de pular no balcão da cozinha. O vídeo viralizou e foi visto mais de 56,6 milhões de vezes. Augustas tenta se livrar do utensílio de cozinha e parece um pouco assustada. Ela tenta tirar o amassador com as patas e chega a pular bem alto para tentar se livrar dele. Alguns internautas se assustaram e pensaram que a gata tinha sido esfaqueada. "Isso é o que acontece quando você pula no balcão da cozinha", diz a dona, que tenta auxiliar o gatinho. "Eu nem sei o que você fez. Ai meu Deus", continua. Algumas pessoas realmente ficaram assustadas com o que a gatinha conseguiu fazer. Então, a dona decidiu avisar depois q...
Em 1925, o explorador britânico Percy Harrison Fawcett entrou na Floresta Amazônica e nunca mais voltou. O objetivo declarado era encontrar vestígios de uma antiga civilização, conhecida apenas como Cidade Z , associada ao mito do Eldorado . O desaparecimento de Fawcett se tornou um dos maiores mistérios da história da exploração. Até hoje, não há consenso sobre o que realmente aconteceu. Quem Foi Percy Fawcett Percy Fawcett não era um aventureiro comum. Coronel do exército britânico, cartógrafo experiente e membro da Royal Geographical Society , ele passou anos mapeando áreas inexploradas da América do Sul. Diferente de muitos exploradores da época, Fawcett acreditava que a Amazônia havia abrigado civilizações complexas, contrariando a visão dominante de que a floresta era inabitável. Seus diários relatam ruínas de pedra, estradas antigas e artefatos indígenas que reforçavam essa convicção. A Cidade Z e o Novo Eldorado A chamada Cidade Z não era descrita como feita de ouro, mas como...
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